sexta-feira, 19 de outubro de 2018


REFLORESTAMENTO

O silêncio
Da morte marcada
Está explícito na floresta
Das espécies importadas!
No reflorestamento
Predomina sempre o silêncio
Os pássaros da região
Não fazem seus ninhos ali
Nem tão pouco
Os insetos, os roedores
Gostam do pinheiro estrangeiro
Que talvez, sei lá...
Por saudade ou
Por terem morte marcada
Precocemente envelhecem
E possuem a derme enrugada
Os galhos calvos, as folhas secas
Que caem encobrindo o chão
E a pinha em forma de lágrima
Faz pensar que os pinheiros
Parecem prever a morte
Enfileirados plantados
Quais condenados
A virarem papel
Papelão!



EROSÃO


Como o verme parasita
A carne que o alimenta
Passa o homem pela vida
Dizimando o verde do planeta

Na maioria das vezes por nada
Ou pelo ingênuo hábito da coivara
Vem sendo por séculos queimada
A nossa ex-verdejante terra

Que sente a mesma dor de ferida
Que ataca a carne e o coração
Quando é cruelmente corroída
Pelo processo da erosão

Que leva embora na enxurrada
No vento, a camada rica de húmus
Que demorou anos para se formada
Em repetidos e sucessivos acúmulos

Os mananciais vão se assoreando
E o solo não mais segura a água
Ocasionando secas, cheias, inundando
Enquanto nós clamamos: chega de mágoa!

Chega de tanto sofrer – de ignorância
É urgente nos educarmos ambientalmente
Que esta sociedade consumista em ganância
Vai sucumbir pela boca fatalmente

Aproximam-se os desertos
Por um erro, aliais erosão!
O que veio do pó decerto
Que ao pó retornarão!


DUAL

Nosso universo é dual
E não existe sozinho
Não existiria bem sem mal
Nem alto sem baixinho

Por isso meu caro amigo
É positivo existir o negativo
Pra clarear que existe o escuro
Que seria do mole sem o duro!

Se eu não conhecer o feio
O triste e ruim que receio
Como vou saber do belo
Do alegre e bom que tanto quero

Assim passamos pelo tempo
Oscilando entre dois adjetivos
Rico ou pobre do branco ao preto
Tudo tem causa e efeito no relativo

Da saúde a doença entre a paz e a guerra
Sofremos da ação a reação, alegria e dor
Indo ou vindo entre o ódio e o amor
Na atração – repulsão do espírito a matéria

Da ignorância à ciência, do erro a verdade
Ascensionamos do inferno ao paraíso
Por bem ou por mal da análise à síntese
Da vida e da morte saberemos do princípio ao fim
...que é o absoluto – Deus!


SATISFAÇÃO

Não são
Seus olhos verdes
Calidoscópios...
Nem sua boca
Vermelha carnuda
Que me fazem dizer
Seu nome a pessoa errada!

Nem seus
Seios durinhos
Ou sua bunda redonda
Que fazem lembrar você
À noite quando viro
De lado na cama!

Nem
Não é
O perfume
Que exala de você
Dez horas após o banho
Que me faz voar
Cheirando o bigode – em casa

Nem mesmo
Aquele olhar submisso
Que você dá, antes de fazer
Algo assim
Como carinho
De vento de verão
De chuva com sol
Colo de mãe, satisfação!

Você trouxe para mim
Mais intensidade às cores
Mais apetite aos sabores
Mais perfume aos odores
Até meu tato ficou mais esperto

Depois de teus abraços
Teus beijos, teu olhar
Eu não sou mais eu
Eu somos nós!


FÓSSIL

Observando a natureza
Conhecendo biologia
Veja com que esperteza
Ela nos fala do dia-a-dia

...assim continuamente
Prossegue a evolução
Lenta mas, eternamente
O que foram outros serão!

Da afinidade nos minerais
Á sensação nos vegetais
Os animais adquirem irracional instinto
E o homem inteligência com discernimento

Para ler nos fósseis com certeza
Histórico explícito da natureza
O que fomos o que somos e
Certamente o que seremos

Está escrito no livro da vida
No solo do planeta terra
Mensagem para ser lida
Que tarda, mas não erra!



ÂNSIA DOS DESEJOS

Oh! Ânsia
Dos desejos
Alivia-nos da espera
Grande tormento sequencial
De quem deseja
E muito deixa
Por desejar
Que nada
Mais é a felicidade
Do que a realização
Dos desejos sonhados
E realizados
Sem muito esperar!


MARCAS DO QUE SE FOI

Sabe...
Tudo se desmancha
Todos os dias em tudo
E vai-se ficando de tudo
Em tudo um pouco
Pudera não é!
Depois de tanta onda
Absorvida, refletida
Sintonizada na convivência
Qualquer semelhança não será
Mera coincidência e...
O que foi meu
O que me acompanhou
Por algum tempo estará
Parecido comigo e...
Me lembrará
Seja um sapato velho
Uma canção, uma cor, um odor
Um sorriso, um gesto...
Seja o que for
Ser ou coisa – tudo!
Transforma-se em tudo – todo dia!


ESPERA


Oh! Abominável esperança
Do tempo companheira
Escraviza os homens numa ânsia
Que dura uma vida inteira

Ilusões nossas de cada dia
Que chegam a nos cegar
Impedem-nos de ver alegria
No chão, na água e no ar

Um dia a esperança criou forma
De fila, e foi crescendo, crescendo
Na cabeça dos homens se transforma
Em paranoia, enlouquecendo, “enlouesquecendo”

Qual esperança à dos condenados
À prisão perpétua, que esperam
Entre quatro paredes confinados
Pela morte que os libertam

Que paciência à das fêmeas
Dando continuidade a geração
Só sendo mesmo para sabê-las
Nas longas noites da gestação

Louca esperança à dos fanáticos
Pela religião 
Que esperam estáticos
Pela salvação

Que calma a água mole tem
Na pedra dura que tanto bate
Até que fura no vai e vem

Esperando enclausurada
Que saco tem a lagarta
Para renascer alada

Há quem espere pela riqueza
Outros almejam o paraíso
Mas há alguns com certeza
Que não querem nada disso

Que bom viver sem esperar
O paraíso é aqui e agora
A felicidade esta solta no ar
Não seja escravo da hora!



EX-CAMINHO

Mistério...
Transformação
Que faz o tempo
Nos caminhos...
 
Que não mais trilhados
São encobertos
Pela vegetação, pelo pó
Pelas teias de aranha!!!

Você já andou por um assim?
Impressionante
Como eles fazem voar a imaginação
Forçam lembranças, recordações...

Quem será que passava por aqui?
Os bandeirantes?
D. João?
Por que viraram contramão?

Que desistência
Esquecimento...
O tempo impôs a esses caminhos
Que leva a lugar nenhum!


VIAGENS EM SONHO

Por quais mundos tenho andado
Que não me é permitido
Relembrar de tudo...
Como é viajante esse meu espírito!

Que deixa para traz, deitado
Meu corpo mole de carne e osso
E corre, nada e voa!..
Do passado ao futuro

De ponta a ponta das galáxias
Numa velocidade imensurável
Ele mergulha no silêncio das
Águas profundas e comunica-se com os peixes

Flutua como folha seca
Pelo vento, pelas cores
Que delicia o prazer do voo!
Como é livre esse meu espírito

...e muito louco
Faz-me cada surpresa
De repente
Atravessa muros em gargalhadas

Ou se pendura nas notas musicais
E sai por aí vibrando!
As cores que ele enxerga então
Minhas retinas jamais espelharam

Que criança alegre
É esse meu espírito
Que pula, pinta e borda
Não conhece o mal, o proibido e nem escandaliza

Parece-me ter ele pressa
De se desmaterializar
De passar pelos mundos
Cantando, dançando e beneficiando

De vez em quando lembro
De como o céu é bom
Algo como um beijo, um raio de sol
Ou um solo de rock
Calma! – você chega lá!


PENSANDANDO


De vez em quando
Um pensamento me absorve tanto
Que me pego andando
Por tudo quanto é canto

Em linha reta ou dobrando
Se meus olhos veem, no entanto
O cérebro não está computando
Quando percebo o fato

Já andei pra caramba, desligado!
E vejam só que barato
Sem me lembrar ou haver tropeçado!

Só pelo astral do pensamento
Conduzindo-me ou sendo levado
Encurto o caminho alargando o momento!



GALO


Oh!!! Vibração excelsa!
Energia superior
Benfeitoras das auroras...

Só sendo galo mesmo
Para sabê-las
Em sua total plenitude

E num grito incontido
Se esgoelar de
Alegria!...

No êxtase
De seu envolvimento
Nascido no horizonte!

Invejo-te galo
Por um ser racional
Não poder

Soltar seu grito e
Escancarar...
Nos momentos supremos!



SIGNO HAI-KAI





Escorpião


Ascendente leão


Comigo não tem boi não!



IDEIA FIXA

Oh! Desejo abominável
Narcótico sentimento egoísta
Que sobe a cabeça!
Encobrindo como névoa
Princípios, valores, e
Todos os outros
Sentidos!

E não quer nem saber
De coisa alguma
De nada!
Quer só apertar
Cheirar, provar...
Quer gozar gostoso!
Diz o vagabundo
O resto – é o resto!

Cuidado!
Ele é como fogo em gasolina
Só se vai depois
De totalmente saciado!
Impossível reprimi-lo
Se excitado e não atendido
Em um sonho erótico
Ele domina de novo!

A sua ideia é fixa
E para ele
Só importa mesmo
Gozar, gozar, gozar...
E o gozado
É que ele sempre
Acompanha o amor!


URUBU

Afamada
Ave negra
Solitária no voo
Silencioso das alturas

Pássaro
Amigo do ar quente
Do vento que te eleva
Com elegância
Sem o bater frenético
Das asas com dedos
 
Nem...
Não ligue
Para as más línguas
Elas
Não sabem o que dizem
Precioso saprófito!

Na altura
Em que vives
Tudo
É mais baixo
Do que a carniça
É aqui em baixo!

Saiba que
Enquanto todos à noite
Procuram estrelas no céu
Canalizando pensamentos
São os pontinhos negros
Escorregando de dia no vento
Alegria no firmamento!


FLORIPA

Por ilha ser parece estar
Longe da rotina do continente
Lá sozinha no meio do mar
Quanta ternura há em sua gente

Sua memória faz suspirar
E ficar a olhar parado
Sinto seu perfume no ar
Agora ao sonhar acordado

As “catarinas” meninas mulheres
Como sabem amar e se dar
Seus verdes mares e olhares
Sinto prazer ao flertar

No corpo um molhado calção
O sangue vermelho de vinho
Dos poros evaporam satisfação
Do vento no peito é carinho

Praias, dunas, sal, mar e sol
Gurias verdes, virgem natureza
Quero entrar para esse rol
Namorar viver essa pureza