ESPERA
Oh! Abominável esperança
Do tempo companheira
Escraviza os homens numa ânsia
Que dura uma vida inteira
Ilusões nossas de cada dia
Que chegam a nos cegar
Impedem-nos de ver alegria
No chão, na água e no ar
Um dia a esperança criou forma
De fila, e foi crescendo, crescendo
Na cabeça dos homens se transforma
Em paranoia, enlouquecendo, “enlouesquecendo”
À prisão perpétua, que esperam
Entre quatro paredes confinados
Pela morte que os libertam
Que paciência à das fêmeas
Dando continuidade a geração
Só sendo mesmo para sabê-las
Nas longas noites da gestação
Louca esperança à dos fanáticos
Pela religião
Que esperam estáticos
Pela salvação
Que calma a água mole tem
Na pedra dura que tanto bate
Até que fura no vai e vem
Esperando enclausurada
Que saco tem a lagarta
Para renascer alada
Há quem espere pela riqueza
Outros almejam o paraíso
Mas há alguns com certeza
Que não querem nada disso
Que bom viver sem esperar
O paraíso é aqui e agora
A felicidade esta solta no ar
Não seja escravo da hora!

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